A auxiliar de compras Larissa Ramos Raudenberg, 24 anos, teve o maxilar, joelho esquerdo, nariz e três dentes quebrados após ser agredida em 15/06 na estação Parada Inglesa, da Linha 1-Azul do Metrô, na Zona Norte de São Paulo. (g1)
Enquanto a porta da cela se abre e devolve a liberdade a homens acusados de violência doméstica e tentativas de feminicídio, outra porta se fecha hermeticamente: a da vida das vítimas.
Para as mulheres que sobreviveram a espancamentos, ameaças de morte e tortura, a notícia da soltura de seus algozes marca o início de uma nova e massacrante pena.
Sem grades físicos, elas passam a viver em uma prisão psicológica invisível, onde a rotina é ditada pela paranóia, pelo pânico e pela restrição absoluta de sua liberdade.
O momento em que a vítima toma conhecimento da revogação da prisão preventiva do agressor desencadeia o que psicólogos e peritos caracterizam como Síndrome do Estresse Pós-Traumático (TEPT) em nível severo.
Sintomas como insônia crônica, ataques de pânico ao menor ruído, hipervigilância constante e sentimentos de desamparo institucional passam a dominar a rotina.
A casa — que deveria ser um refúgio seguro — transforma-se em um cenário de alerta permanente, onde trancas são multiplicadas e janelas permanecem fechadas até nos dias mais quentes.
A sensação de insegurança é agravada pela fragilidade das medidas protetivas de urgência. Embora a legislação preveja o distanciamento mínimo e a monitoração eletrônica por tornozeleira, a prática demonstra que o dispositivo não impede a aproximação física em tempo real antes que ocorra um novo ataque.
Essa vulnerabilidade obriga as vítimas a mudarem drasticamente seus hábitos: muitas abandonam os empregos, trocam os filhos de escola, cortam vínculos sociais e evitam horários e itinerários habituais. A rotina torna-se um exercício diário de sobrevivência e ocultamento.
Especialistas e redes de apoio à mulher enfatizam que a soltura prematura de agressores de alta periculosidade produz um efeito devastador na saúde mental e na autonomia das sobreviventes.
O sentimento de que o sistema de Justiça priorizou as garantias do acusado em detrimento da segurança de quem foi violentada gera uma profunda desilusão institucional.
Encurraladas pelo pavor e pelo isolamento forçado, essas mulheres vivem o pesadelo contínuo de saber que, enquanto o agressor retoma sua vida normal, elas permanecem reféns do medo dentro do próprio cotidiano.
Da Redação do Portal GPN


